Caminhos tortuosos levam ao amor



Caminhos tortuosos levam ao amor
Ele havia mudado pouco durante aquela década. Obviamente estava mais maduro, havia perdido aquela fisionomia adolescente, embora já naquela época tivesse mais cara de homem do que o restante da nossa turma no colégio; estava certamente mais macho, se é que se pode atribuir à passagem dos anos a característica de um adolescente cheio de testosterona ter se transformado num homem de aparência muito viril. Ele me reconheceu bem antes do que eu a ele, quando fui apresentado à equipe de engenheiros da multinacional onde acabava de ser contratado, após a conclusão da minha pós-graduação no exterior. Logo notei aquele par de olhos penetrantes me encarando e, foi então que o reconheci. Paulo Eduardo, o mais cobiçado garoto do colégio, por quem as garotas suspiravam e chegavam a ficar com as xerecas todas molhadas só de imaginar aquele garanhão trabalhando suas entranhas. Lembro-me também de dois carinhas, um da minha classe e outro de uma turma mais nova, com quem eu tinha uma amizade peculiar, uma vez que ninguém se aventurava muito com eles por terem se declarado homossexuais, cujas pregas anais também deviam se atiçar tanto quanto as bucetas das garotas quando o viam na quadra de esportes do colégio. Eu não tinha dúvida de que era isso que alimentava sua arrogância. Paulão, como era conhecido pelos puxa-sacos que se escondiam na sua sombra para ver se conseguiam alguma garota, o resto do que ele não queria, logicamente me enquadrou na mesma categoria. Quem anda com viado só pode ser viado, esse era seu mote e, portanto, ele procurava manter distância de mim. As exceções aconteciam quando se tratava de zoar os caras, sempre acabava sobrando para mim também. Eles aceitavam as gozações, pois era a maneira pela qual julgavam que ele reparava neles. Eu as via como mera forma de ele se autoafirmar perante a turma, uma vez que nutria uma antipatia por aquele ogro, cuja origem eu mesmo desconhecia. Durante a apresentação, ele foi o único para quem não estendi a mão quando o diretor mencionava o nome de cada um dos membros da equipe.
- Tudo bem? – foi tudo que falei, enquanto ele recolhia disfarçadamente a mão que havia estendido na minha direção. Todos repararam na minha postura fria e indiferente em relação a ele.
- Quanto tempo! Kadu, o velho e estudioso Kadu! Por aí se vê como esse mundo é pequeno. Tudo. E você, como está? – apressou-se a responder, um pouco constrangido por que todos haviam passado a reparar em nós mais aguçadamente.
- Vocês já se conhecem, Carlos Eduardo? – questionou o diretor.
- Sim! Estudamos na mesma classe do colégio. – respondi.
- Que bom! Então vai ser fácil trabalharem juntos. – afirmou o diretor. Nem ele nem eu demos uma resposta.
Meu primeiro dia na empresa teria sido fantástico não fosse aquele reencontro indesejado. O pior é que eu teria que encontrar uma maneira de conviver com aquele sujeito sem passar pelos mesmos perrengues da época de colégio. Iludido e ingenuamente, pensei que, estando mais maduros, isso não seria um grande problema. Não demorei a perceber como algumas pessoas da empresa me tratavam, mesmo que de início o relacionamento tenha acontecido muito espontânea e amigavelmente. Com outros aconteceu exatamente o oposto. Notei certas liberdades para comigo para as quais eu não tinha aberto espaço. Não tive dúvida de que o Paulão estava por trás desses comportamentos e, passei a achar que ele espalhara pela empresa que eu não passava de um viado enrustido.
- Você é casado, Kadu? E a sua namorada, o que faz? Aquela voz feminina que te ligou ontem é sua noiva, Kadu? – eram essas as perguntas com as quais passaram a me bombardear tentando descobrir se eu era realmente gay como o Paulão insinuava.
Eu era, mas tinha para mim mesmo que isso não dizia respeito a ninguém. Havia me descoberto tardiamente, pouco antes de entrar na faculdade, quando me vi perdida e platonicamente apaixonado por um vizinho que se mudara a questão de alguns meses para o nosso condomínio. Tudo começou timidamente num encontro fortuito no elevador de serviço, mais de um ano depois, quando eu estava levando Big John, meu buldogue inglês, para seu passeio diário. Como ele costumava ficar todo elétrico quando se colocava a coleira nele, de tanto contentamento, saia pulando nas pernas de quem estava próximo. Lorenzo se encantou com a alegria dele e, logo me dirigiu um sorriso largo e amistoso, ao mesmo tempo em que dava uma secada pouco indiscreta nas minhas coxas grossas e lisas que emergiam do short não vulgar ou revelador, mas bem ajustado ao corpo. Como morávamos a poucas quadras do Parque do Ibirapuera e ele também estava trajando uma roupa esportiva, deduzi que estava saindo para se exercitar. Ele negou, disse que estava indo até a padaria, mas que estava disposto a nos acompanhar se eu não me importasse. Certamente eu não faria nenhuma objeção, muito pelo contrário, corpos sarados como o dele estavam me deixando cada vez mais interessado de uns tempos para cá. E, o Lorenzo tinha tudo que meu imaginário sonhava concentrado naquele corpão de mais de um metro e oitenta; músculos definidos e até sensualmente trabalhados, coxas grossas revestidas por densos pelos negros, um rosto másculo acentuado pelo desleixo em fazer uma barba muito cerrada, e um tronco trapezoidal que a camiseta justa camuflava fazendo a curiosidade em desvenda-lo aflorar na gente, além de um acintoso volume que balançava pesado entre suas pernas e que o tecido do short não conseguia esconder quando ele se movimentava. Talvez ele não fosse muito mais velho do que eu. Eu sabia que ele já estava na faculdade, mas não o que cursava nem em que ano estava. No entanto, seus modos comedidos, aquela pose tranquila, o ar de quem sabe como dominar uma situação que os adultos têm já estava presente em sua personalidade. A partir daquele dia passamos a fazer os passeios com o Big John juntos e, em poucas semanas, já estávamos frequentando barzinhos, indo ao cinema, dando umas voltas no shopping ou, simplesmente, batendo papo na área da piscina do condomínio mesmo que o céu estivesse nublado. Embora eu estivesse fascinado por ele, seria incapaz de dizer o que ele sentia por mim, provavelmente nada além de um coleguismo entre vizinhos. Depois de um tempo nesse chove não molha, nessa paixão platônica, resolvi criar coragem e dar um passo além. Convidei-o a descer para o litoral conosco no primeiro feriadão e, foi lá, durante uma caminhada noturna pela pequena enseada onde ficava a casa de praia, que ele me encurralou contra as pedras do rochedo que marcava o final da praia, junto a uma colina que avançava uma centena de metros mar adentro. Eu não ofereci resistência, desejava aquele contato físico tanto quanto ele. Quando meu peito encostou nos pelos do dele e, seus lábios tocaram os meus, pensei que meu corpo fosse convulsionar de tanto tesão. Eu era virgem e nunca tinha estado tão grudado ao corpo de outra pessoa, muito menos de um macho como aquele. Ele deve ter notado minha insegurança e meu despreparo, pois eu mal sabia como fazer para encaixar meus lábios nos dele.
- Tenha calma! Faz semanas que estou querendo fazer isso, você é muito gostoso. Eu me amarro numa bundinha carnuda como a sua. – sentenciou ele, sentindo meu corpo tremendo em seus braços e, minha boca afoita e descoordenada tateando a dele.
Minha bermuda foi descendo aos poucos, junto com a cueca, empurrada por um par de mãos que sabia exatamente como se posicionar e o que fazer. Minha pele ficou toda arrepiada e ele podia sentir isso naquela carne firme que estava apalpando sem nenhum pudor. Eu soltei um leve gemido quando senti um dedo curioso e devasso circundando meu buraquinho. Ele sorriu para mim quando percebeu meu desespero. Toda a situação estava sendo controlada por ele, toque a toque, sofreguidão a sofreguidão. Eu mesmo me sentia um mero objeto que estava sendo examinado em detalhes. Não deixava de haver uma reciprocidade no tesão que estávamos sentindo. A libertinagem com a qual ele me vasculhava a intimidade era tamanha que eu mal podia acreditar. Pela primeira vez, meu cu estava sendo circundado, explorado e vasculhado numa desfaçatez inimaginável. Era assustador, mas também tremendamente prazeroso. Seu olhar permanecia o tempo todo focado no meu rosto e nas minhas expressões, como que estudando minhas reações.
- Apertadinho, lisinho, enrugadinho, pronto para receber um macho! – sussurrou o Lorenzo rente ao meu ouvido, enquanto seus lábios úmidos percorriam meu pescoço.
Sua ereção resvalava na minha perna, consistente e angustiada. Dava para senti-la movendo-se como um animal enjaulado. Senti tanto tesão com aquilo, com a consciência de que ele estava naquele estado por minha causa, por causa da minha pele, do meu corpo encaixado no dele, que deixei escapar um gemido pronunciando seu nome.
- Quero esse cuzinho! – exclamou ele, sem parar de girar aquele dedo ao redor do meu buraquinho excitado.
- Me fode, Lorenzo. – gemi suplicante, sem ter a menor ideia do que isso representava. Eu estava apenas imitando um personagem de um filme que vi pedindo a mesma coisa enquanto se encontrava no mesmo desespero que eu.
- É pica no cuzinho que você quer? Tem certeza? – grunhiu ele, com um sorriso sacana nos lábios e a certeza de que me tinha submisso e a mercê de sua volúpia.
- É. – gemi, procurando naqueles lábios ávidos o amparo para o que estava por vir.
Fazia semanas que eu pesquisara a fundo como ser um passivo nos mais variados sites. Desde então, treinava como fazer minha higiene íntima. Atabalhoado no início, logo percebi que ela própria era uma forma de me excitar. Quando me sentia asseado e perfumado, meu cuzinho não parava de se contorcer em espasmos, cheio de quereres e vontades. Ele enfiou o dedo mais profundamente, justamente para testar se eu estava mesmo pronto para aquilo que lhe pedia. Ao se dar conta de que meu buraquinho não era apenas apertado e timidamente encravado nas profundezas de um rego bem fechado pelas bandas musculosas da minha bunda; mas também cheiroso pelo esmero no asseio bem conduzido, sem rescindir a perfumes ou substâncias cosméticas introduzidas ali unicamente com esse objetivo, ele ficou tarado.
- Quem te ensinou a se preparar para um macho? – perguntou. Um leve franzido na testa denotava que ele estava em dúvida quanto a minha real virgindade.
- Eu pesquisei na Internet! – exclamei, num murmúrio envergonhado e tímido, deixando transparecer toda a minha inexperiência.
- E foi por mim que você andou pesquisando? – questionou, esboçando um meio-sorriso que tinha tudo de libertino. Eu corei e não consegui encara-lo.
Fixar meu olhar no dele significava que eu estava me reconhecendo como um viado cheio de desejo de dar o cuzinho. Ele ergueu meu queixo com uma das mãos e me encarou.
- Olhe bem dentro dos meus olhos, e me peça para te fazer minha fêmea! – exclamou. Eu ia baixando o olhar novamente quando ele me advertiu. – Não! Olhe para mim e faça o que mandei! – ordenou, mas sua voz era doce e compreensiva.
- Eu não sou fêmea! – balbuciei inseguro.
- É como se fosse! Desde o primeiro dia em que te vi, notei que você queria dar para mim. Um homem não dá uma bandeira dessas. Como seu corpo é o de um homem e, nada em você desmente isso, é aqui dentro que você é uma fêmea ou, um não-homem, o que dá na mesma. – afirmou, tocando levemente as pontas dos dedos na minha cabeça.
Eu já não estava entendendo mais nada. Nunca um cara tinha me dito que eu não era homem, que eu era uma fêmea, embora fosse exatamente assim que eu me sentia diante dele.
- Quero ser sua fêmea! – gemi confuso, obedecendo ao que ele havia determinado.
Ele me apertou com mais força em seus braços e voltou a me beijar impetuosa e devassamente. Eu tirei meus pés da bermuda e da cueca que estavam impedindo que eu abrisse minhas pernas e, aquela mão cada vez mais presente e afoita dentro do meu rego estava pedindo isso. Assim que me abri, ele me levantou pelas nádegas e eu o enlacei pela cintura. Agora, o cuzinho não estava apenas exposto e franqueado para seus caprichos, mas piscava atiçado pelo tesão e pela manipulação depravada.
- Você já mamou uma caceta? – rosnou ele, entre um beijo e outro.
- Não! – sussurrei. Senti-me um babaca que aos dezoito anos ainda era tão virgem quanto no dia em que veio ao mundo, quando parecia que todos ao meu redor já dominavam a arte do sexo com todas as suas nuances. O Lorenzo pareceu não se importar, e isso me tranquilizou.
Sem perder tempo, ele me soltou e, pegando uma das minhas mãos, levou-a para dentro do seu short. Ele não estava usando cueca. Logo desconfiei de que aquele convite para um passeio à noite pela praia nada tinha de casual. Ele também devia estar de olho em mim há algum tempo para aceitar logo de cara meu convite para descer ao litoral, mesmo que na companhia da minha família. Senti um prazer redobrado ao chegar a essa conclusão, eu não estava tão sozinho nessa empreitada quanto pensava. Sua ereção pulsava atrás do tecido, pesada e volumosa. Tateei até encontrar a cabeça, meus dedos logo ficaram molhados, eu os levei aos lábios e lambi, encarado por um sorriso libertino dele. Ele terminou de tirar o short, exibindo ostensivamente seu falo avantajado. Uma pica sem prepúcio, grossa e reta, que ainda não havia chegado ao grau de rigidez final, a cabeçorra de destacava indecente do restante do membro que ia engrossando à medida que se perdia dentro do matagal de pentelhos grossos e negros. Ele ficou visivelmente contente com a admiração com a qual eu olhava para seu cacete.
- É tudo para você! – exclamou, voltando a pegar na minha mão para que ela continuasse a deslizar acariciando seu falo. Eu estava tão impressionado que mal sabia o que fazer com aquela jeba suculenta. – Quero sentir teus lábios saboreando meu cacete. – ronronou ele.
Ajoelhei-me na areia fofa diante de suas pernas ligeiramente abertas. Assim que aproximei minha boca de sua pica, senti o cheiro de sua pele, que já me fascinava, porém mais concentrado dentro de sua virilha. Toquei os lábios na glande arroxeada com extremo cuidado, sabendo por experiência própria o quão sensível era aquela região. Ele riu do meu cuidado e, segurando-me pelos cabelos, meteu a rola na minha boca. O sabor dele foi se intensificando e se mesclando à minha saliva, enquanto eu lambia e chupava delicadamente a cabeçorra e poucos centímetros além, pois era tudo o que a minha boca suportava. Ele soltou um grunhido rouco, apertou meus cabelos entre os dedos, e deixou a cabeça pender para trás, deixando-se mamar num tesão arrebatador. Eu não desgrudava meu olhar de seu rosto e de suas expressões, foram elas que me indicaram que eu estava fazendo tudo certinho. Com a sucção cadenciada fui descobrindo como fazê-lo gemer mais alto, com a língua fui descobrindo os pontos aonde sua pelve chegava a estremecer quase gozando na minha boca, com os lábios passeando por toda extensão da rola e se fechando ao redor de um daqueles seus bagos ingurgitados, eu fui descobrindo como era maravilhoso instigar um macho.
- Caralho de boca aveludada e gostosa! – exclamou ele, entre gemidos.
Àquelas alturas, eu só queria que ele enchesse minha boca com a sua porra. Eu estava louco de tesão querendo saborear sua virilidade. Era um fetiche primitivo que surgiu assim que comecei a olhar com mais interesse para caras que julgava serem os machos capazes de realizar minhas fantasias. A gala é o que define o macho, que lhe dá sua individualidade, que carrega sua síntese, sorve-la para mim sempre significou honrar a distinção que um macho faz ao presenteá-la. E, eu queria sentir a do Lorenzo. Instintivamente, achei que se ousasse um pouco e me aventurasse naqueles bagos gigantescos que pendiam diante do meu rosto, ele me entregaria sua gala mais pela excitação do que pela necessidade. O saco era tão peludo quanto tudo naquela virilha máscula, mas eu abocanhei o bago que pendia ligeiramente mais pesado que o outro e, mesmo enchendo minha boca de pentelhos, o que naquele momento nem levei em consideração, eu o chupei devota e carinhosamente. O cacetão agora deslizava com seu peso e volume pelo meu rosto, deixando fluir o sumo aquoso de pré-gozo que me lambuzava e, ao mesmo tempo, me inebriava com seu cheiro. O Lorenzo gemia mais contundentemente, aquele som rouco vinha de algum lugar mais profundo do seu peito, e se assemelhava ao urro longínquo de touro que pressente no ar o aroma de fêmeas no cio. Eu havia acertado em cheio seguindo meu instinto. Não consegui ficar chupando alternadamente seus bagos por muito tempo, além do meu estímulo fazê-los produzir e concentrar esperma, a urgência parecia ter se instalado no períneo do Lorenzo. Ele tornou a me enfiar a pica na boca e, a segurar minha cabeça com firmeza para poder fode-la como se ela fosse uma buceta. Eu quase não conseguia respirar com aquela cabeçorra forçando dolorosamente a minha garganta para além do ponto em que os reflexos involuntários do engulho se encontram. Durante uma estocada abrupta o primeiro jato desceu diretamente pela minha garganta. Temendo ficar sem saborear sua porra, eu comprimi minhas mãos contra suas coxas num apoio para afastar um pouco a minha cabeça e meu rosto daquela virilha pentelhuda. Acabou sendo demais, e a pica saiu completamente da minha boca, fazendo com que o segundo jato, cremoso e espesso atingisse meu rosto. Abocanhei novamente a cabeçorra e então fui brindado com os demais jatos dele explodindo e inundando minha boca, enquanto eu movia minha língua ao redor da pica e saboreava um macho pela primeira vez. Encarei-o com um olhar de jubilo e ele me observava com seu olhar de devaneio e satisfação, limpando sua rola até não haver mais vestígios de uma só gota de sêmen. O que havia se espalhado pelo meu rosto ele foi colocando com o polegar entre os meus lábios e eu o lambia com um sorriso maroto encarando sua libertinagem. Eu não esperava que ele fosse nenhum superhomem, para tirar a pica recém-gozada da minha boca e mete-la no meu cuzinho desesperado pela primeira rola. Mas, ao caminharmos até o extremo oposto da enseada sem que ele fizesse um único gesto que indicasse que fosse me foder e, mais ainda, quando sugeriu que voltássemos para casa, pois estava bastante tarde, senti a decepção tomando conta de mim. Ele não ia enfiar aquilo em mim hoje como eu imaginava e sonhava. Também não o fez nos outros dias do feriadão. Era apenas a caminhada noturna, um pit stop junto aos rochedos, uma mamada com bastante leitinho na boca e, a esperança de que no dia seguinte o cuzinho também faria parte da brincadeira. Eu não ousei pedir, não queria parecer um depravado aos olhos dele e, também já havia compreendido que era ele quem determinava o que, como e quando as coisas iam acontecer entre nós. Ele se mostrou satisfeito por eu reconhecer e compreender que o macho ali era ele, que eu teria que seguir suas regras, mesmo não sabendo exatamente quais eram elas. O Lorenzo estava me disciplinando. Foi um pouco impactante reconhecer isso, mas, de certa forma, foi isso que eu procurei desde que aceitei minha inclinação homossexual. Aquela era a minha primeira vez em tudo, eu desconhecia esse mundo, era natural que meu macho me ensinasse e me deixasse pronto para servi-lo.
No domingo à noite, quando regressamos do litoral e, ele havia me ajudado a tirar e subir as bagagens do carro do meu pai eu ainda nutria uma esperança de que ele fosse arrumar um jeito de desvirginar o meu cuzinho. Contudo, ele apenas me deu um amasso no corredor de serviço, prensando-me contra a parede e mergulhando sua língua na minha boca, enquanto apalpava minhas nádegas através do cós arriado da minha bermuda. Eu não estava usando cueca e, quando sua mão tocou a pele macia da minha bunda ele esboçou um risinho safado, compreendendo exatamente qual tinha sido o motivo da minha artimanha.
- Amanhã, assim que você voltar do colégio, quero que vá direto lá para casa. – sussurrou, enquanto fungava minha nuca.
Foi uma segunda-feira praticamente perdida, pois eu não conseguia me concentrar nas aulas, só esperando as horas passarem para eu poder correr para casa ao encontro do Lorenzo. Eu nunca tinha estado dentro do apartamento dele. Será que em seu próprio covil ele ia me possuir como eu desejava? Ou será que ele era do tipo de cara que só curtia um boquete com outros caras? Quando isso passou pela minha cabeça, senti uma pontada dolorosa no peito. Talvez ele só me visse como um depósito de porra, não querendo consumar um coito anal. Não podia ser por nojo, ele tinha explorado meu buraquinho e ficado contente e abismado por perceber que eu havia me preparado para levar pica no cu. Essa mania dos machos se manterem reservados, econômicos nas palavras, impassíveis nas expressões era algo torturante. Mas, ele havia gostado, e muito, das minhas mamadas, isso eu consegui perceber. Faltava-me traquejo na interpretação do que ia pela cabeça de um homem, constatei. Talvez para isso eu não fosse contar com um professor, teria que ser autodidata.
O Lorenzo já me esperava com a porta entreaberta quando o elevador soltou o silvo que indicava a chegada ao andar determinado pelo painel e a abertura das portas. Seus cabelos ainda estavam molhados, o torso nu e viril logo atiçou minhas pregas anais, assim como a pica consistente que estava ligeiramente excitada dentro do short. Ele me levou diretamente para seu quarto, mal tive tempo de identificar a disposição da mobília na sala que cruzamos apressados. As mãos dele estavam na minha cintura como que me guiando, e isso ao invés de me perturbar, me deixou mais seguro. O Lorenzo tinha a capacidade de me deixar seguro toda vez que eu estava ao lado dele. O quarto dele me pareceu ligeiramente menor do que o meu, embora os apartamentos tivessem uma planta padrão, meus pais haviam feito uma reforma antes de nos mudarmos. Tinha a mesma saída envidraçada para um pequeno terraço, mas as cores das paredes eram mais escuras do que as minhas, talvez isso desse a impressão do quarto ser menor, porém mais intimista e misterioso. Pelo menos foi essa a minha impressão ao pisar naquele covil. Varri com o olhar cada canto do aposento, ele esboçou um sorriso discreto, notando a minha perturbação.
- Estamos seguros aqui dentro, não tenha receio. – verbalizou, parecendo ler meus pensamentos.
- Eu sei! – exclamei, embora essa resposta tenha sido apenas uma maneira de não ficar calado e concentrado nas batidas aceleradas do meu coração.
- Por que está tão vestido? – questionou, secando meu corpo de cima abaixo.
- Como assim? Estou vestido normalmente. Ou você achou que eu viria pelado para a sua casa? – balbuciei nervoso.
- Não. Claro que não! Mas não precisava ter colocado uma camiseta, gosto de ver seus peitinhos, principalmente quando eles ficam excitados pela minha proximidade. – disse ele, parecendo se divertir com a minha timidez.
- Poupe-me do seu sarcasmo! Eu não sabia quem ia encontrar aqui, sua mãe, uma empregada, sei lá. O que iam pensar se me vissem seminu. – retruquei. Estranhamente eu não conseguia me acalmar.
- E, você só está preocupado com o que os outros pensam a seu respeito. Você acha isso natural? – questionou, recostando-se na cabeceira da cama com uma perna estendida sobre ela e a outra pendendo para fora, parecia que a pica já tinha aumentado de volume.
- Não sei! – Toda vez que eu me via encurralado, deixava escapar esse ‘não sei’ que nada mais era do que eu demonstrando meu nervosismo ante uma situação. Ele riu.
- Você não sabe muita coisa. Eu gosto disso em você! – devolveu ele.
- Está me chamando de burro? – questionei, um pouco ofendido.
- Você sabe que não. Que não foi a isso que me referi. – respondeu, amenizando o risinho sarcástico. – Vem cá, senta do meu lado! – repentinamente mal consegui dar os passos que faltavam para eu chegar à cama, embora meus lábios não estivessem suportando estar tão próximo daquela ereção sem tocá-la.
- Você está sozinho em casa? – não sei por que perguntei isso, puro delírio. Ele não me chamaria para sua casa se houvesse uma chance de sermos flagrados. Mas, eu estava tão perturbado que mal sabia o que dizer.
- Não! – respondeu de imediato. E, ante a minha cara de espanto e retraimento, ele logo acrescentou. – Você está comigo.
- Engraçadinho!
- Você não me pareceu tão nervoso e desconfortável lá na praia. O que é que está acontecendo? – ele precisava ser tão explícito e me deixar ainda mais tenso?
- Não sei! – o maldito ‘não sei’, outra vez. Ele riu novamente.
Antes que eu chegasse a me sentar ao seu lado ele me abraçou e tirou minha camiseta. Meus peitinhos ficaram na altura de sua boca e eu senti o hálito quente roçando um deles. Desavergonhados, os dois começaram a projetar os biquinhos dos mamilos bem à vista dele. Nada podia ser mais embaraçoso. Eu mal sabia como ele estava se sentindo, nenhuma expressão indicava seu estado de espirito, enquanto isso, eu parecia um livro de páginas abertas, deixando cada sensação transparecer com uma nitidez impressionante.
- Gosto como você fica excitado quando te toco! – murmurou ele, sem tirar os olhos dos biquinhos hirtos e projetados.
- Eu gosto quando você me toca. – devolvi. As palavras mal podiam ser ouvidas mesmo naquela curta distância.
- O que você sente quando eu te toco? – outra pergunta embaraçosa. Ele não aliviava nem um pouco.
- Tudo! – balbuciei.
- O que é tudo?
- Ah! Você está me deixando sem graça.
- Você nunca perde a graça! Que tudo? Quero ouvir você usando as palavras mais chulas e assertivas para me explicar o que sente. Vamos, fala para o teu macho o que você sente quando ele te toca! – se estivéssemos na idade média aquilo seria considerado uma sessão de tortura, indubitavelmente.
- Eu sinto uns arrepios ... –ele não me deixou terminar.
- Onde?
- No corpo todo, no ... no cuzinho, na barriga, nos mamilos, sei lá, por todos os lugares. – balbuciei.
- Seu cuzinho está arrepiado agora?
- Está!
Ele me puxou para junto dele e me beijou, invadindo minha boca com sua língua afoita. Eu estava feliz por aquela sequência de perguntas ter terminado, eu só queria beijá-lo, sentir seu sabor, não ter que responder a perguntas capciosas. Eu acariciava sua nuca e seus cabelos quando ele começou a descer pelo meu pescoço e chegou ao meu peitinho beijando-o antes de começar a apertá-lo entre os dedos. Eu gemi, ele apertou com mais força. Começou a me lamber, a língua áspera cada vez mais presente no biquinho rijo e sensível, uma mordida fez todo contorno adiposo do peitinho desaparecer em sua boca. Os dentes prensavam meu mamilo e a língua continuava a lamber meu biquinho. Ele estava me levando à loucura. Suas mãos seguravam e erguiam meu tronco, eu estava praticamente sentado no colo dele. Nas vezes em que me erguia, ele deslizava as mãos até a minha bermuda, penetrava nela e procurava pelas minhas nádegas. Eu abri o botão e o zíper para que ele pudesse arria-la. Eu não usava cueca. Se ele tinha gostado da última vez, por que não repetir o gesto? Eu me pus de joelhos para que a bermuda descesse mais facilmente. O primeiro dedo perscrutador se movia ao redor do meu botão. Parecia que o ar não conseguia preencher meus pulmões. Comecei a arfar. Eu conseguia sentir o cuzinho piscando contra o dedo do Lorenzo. Ele aproveitou-se de um espasmo que abriu discretamente o buraquinho e enfiou o dedo lá dentro. Eu gemi. Ele mordeu com força no peitinho que continuava em sua boca. Eu atirei a cabeça para trás, enquanto erguia meu tronco e agarrava sua cabeça, inicialmente prendendo-a nas minhas mãos e, depois, deslizando os dedos dentro dos cabelos dele. Naquele instante me dei conta de que nunca estivemos tão juntos, tão ligados, e isso estava sendo maravilhoso. Ele ficou um tempo me dedando, primeiro com aquele único dedo, mas, aos poucos, foi enfiando um segundo e um terceiro, eu já gania e não sabia até quando meu buraquinho ia aguentar aquela invasão, enquanto sua boca trabalhava meu peitinho, já totalmente inchado e marcado por suas mordidas vorazes.
- Tão apertadinho! Deliciosamente apertadinho! Vou ter muito trabalho para deixa-lo laceado do jeito que precisa ser, para que você não sinta dor, apenas prazer quando meu pau estiver aqui dentro. – disse ele, com a respiração também acelerada pelo tesão.
Eu já conseguia ver a cabeçorra úmida dele emergindo pelo cós do short. Tentei me abaixar para captura-la com os lábios, ele me impediu.
- Hoje não! Hoje não tem mamada no cacete! Hoje você vai levar pica e esporrada no cu. – afirmou categórico. Eu estremeci.
Ele me inclinou de bruços e terminou de tirar minha bermuda, fez o mesmo com o short dele. Estávamos pelados. Interpondo suas pernas entre as minhas, inclinou-se sobre minha bunda. Abriu meu rego com ambas as mãos espalmadas sobre as nádegas. Admirou meu botãozinho rosado desprotegido e vulnerável, se contorcendo em espasmos de desespero. Nada podia ser mais apetitoso e disponível do que aquele cuzinho virgem atiçando seus brios de macho. Cheguei a soltar um gritinho quando a língua úmida dele, percorrendo meu rego, alcançou minhas pregas e começou a se insinuar no botãozinho prodigamente trabalhado por seus dedos. Ele jogou um travesseiro para perto do meu rosto e eu o agarrei enfiando a cara nele. O cheiro do Lorenzo estava impregnado nele e, enquanto o mordia, gemi feito uma cadela sendo currada. De repente, parecia que eu não era mais o dono do meu corpo, que ele pertencia ao Lorenzo, que ele podia dispor dele como bem lhe aprouvesse, que a mim só cabia aceitar meu destino. Era tamanho esse desapego que chegava a dar medo. Se ele fosse bruto e cruel, se ele fosse me machucar com aquele bagulhão grosso e predador, se ele fosse me rasgar o cu na sanha de me foder, o que seria de mim? Nunca me senti tão desamparado, à mercê de outro, um boneco sem vontades e, mesmo que as tivesse, sem poder expressá-las, receoso das consequências. Quando ele parou de me linguar e, pincelou o caralhão ao longo do rego, eu me atrevi a olhar para trás e encara-lo. Ele deve ter notado meu olhar de súplica e, embora continuasse com aquela expressão impassível no rosto, tive a certeza de que ele não ia judiar de mim. Não existiam lubrificantes? Por que não me lembrei de passar numa farmácia na volta do colégio e comprar um? E a camisinha? Não era para ter uma camisinha pelo menos à mostra? Olhei ao redor, nenhuma. Eram tantas as dúvidas, mas parecia ser tarde demais para me lembrar delas agora. A pica estava sobre meu botão fazendo pressão para entrar. Como era complicado não ter experiência alguma nesse assunto, tão leigo, tão bobinho. Eu devia ter pesquisado mais, perguntado para o Cabral ou o Breno, dois colegas de classe que diziam já ter enrabado uma porção de garotas, mas como chegar neles de uma hora para outra se mal conversávamos? O que iam pensar de mim? Iam tirar uma com a minha cara, sabendo que eu estava me preparando para perder a virgindade, embora não soubessem como. Agora não adiantava mais me lastimar, ia acontecer em segundos, e só me restava esperar para ver no que dava, e confiar que o pré-gozo abundante do Lorenzo fosse suficiente para lubrificar meu cuzinho. Deu em dor. Uma dor aguda e forte que me fez gritar e morder o travesseiro. A cabeçorra entrou rasgando minha carne, embora o Lorenzo não estivesse usando mais força do que aquela estritamente necessária para convencer meus esfíncteres a deixa-lo transpassa-los.
- Ssshhhh!! Calma, já vai passar! – aquele sussurrar morno na minha nuca me fez acreditar que sim.
Uma coisa era sentir aquela pica grossa na boca, onde eu era capaz de justar a abertura para deixa-la entrar em mim, outra, bem diferente, era sentir ela me abrindo à força onde meus receios só faziam contrair violentamente meus esfíncteres. Ainda por cima, com um macho cheio de tesão esperando para me consumir. Foi então que entendi quão frágil era a minha posição e, o quanto eu dependia do macho engatado no meu cu ser uma pessoa sensata e, com um mínimo de sentimentos por mim. E, o Lorenzo foi exatamente assim. Seus braços me envolveram tão carinhosa e protetoramente, seus beijos nos meus ombros eram tão suaves, sua mão, apesar de forte, acariciava delicadamente um dos meus mamilos, enquanto ele enfiava o pau cada vez mais fundo na minha carne. Não sei por que eu esperava que ele me perguntasse algo sobre aquela dor que eu estava sentindo; talvez quisesse, ao confirmar sua intensidade, que ele aliviasse aquela pressão que exercia para meter a pica em mim. Mas, ele não perguntou nada. Era notório que ele sabia que estava me machucando e que eu estava sentindo dor, como se isso fosse uma decorrência natural do coito. Ele, o macho, com sua jeba avantajada, causava isso, fosse numa buceta mais facilmente capaz de se amoldar à espessura da rola, fosse num cuzinho sem essa propriedade, como o meu. Cabia a quem estivesse sob seu jugo render-se às contingências e arcar sozinho com as consequências. O viado ali era eu, ele estava deixando isso bem claro. Só me restava gemer e, foi o que eu fiz, não escandalosamente, mas contida e sensualmente. Seus resultados foram imediatos.
- Como você é gostoso, Kadu! Eu já imaginava isso, mas confesso que não esperava que fosse tanto. Seu cuzinho foi feito pensando nas minhas necessidades. – ronronava ele. Eu quase explodi de tanta felicidade. Ele estava gostando, e isso era tudo que me importava.
Aquele entra e sai, num vaivém lento e cadenciado, daquela pica no meu cuzinho, acendeu um fogo dentro de mim que queimava e me fazia esquecer que eu era um ser racional. Tudo se resumia a emoções, sensações e sentimentos que se transformavam em labaredas crescentes, alimentadas pelo contato com o peito suado do Lorenzo nas minhas costas, sua verga pulsando em mim, seu arfar profundo provocado pelo tesão que sentia por estar me fodendo. Não estávamos apenas conectados como acontecia, até então, na troca de sorrisos num local público ou, na troca cúmplice de olhares quando estávamos na presença de outras pessoas. Éramos um único ser naquele instante, mergulhados tão profundamente um no outro, que era impossível imaginar uma dissolução. Comecei a me agitar debaixo do peso do corpo dele quando percebi que havia chegado a um clímax jamais experimentado antes, que eu estava prestes a gozar e, que o faria em sua cama se algo não fosse feito imediatamente.
- Por que essa agitação toda, minha cadelinha? Fica quietinha fica, senão a pica escapa desse cuzinho e eu vou ter que enfia-la novamente. – rosnou ele, procurando cercear meus movimentos apertando-me junto ao corpo.
- Ai, Lorenzo, eu não estou aguentado mais, vou gozar. Vou gozar na sua cama! – exclamei aflito.
- Goza, minha cadelinha. Deixe eu ver como é o gozo da minha cadelinha. – respondeu ele. Eu não estava gostando de ser chamado de cadelinha, era pejorativo, humilhante, mas não protestei. No momento, eu estava muito mais preocupado com o gozo que já começava a fluir.
O Lorenzo me virou um pouco de lado, sem parar de bombar meu cu, só para apreciar aquele espetáculo. Eu nunca havia gozado sem ter me masturbado. E, estava um pouco envergonhado de fazê-lo diante dele, ainda mais quando me lembrava da quantidade de porra que ele ejaculava na minha boca.
- Esse é todo o gozo da minha cadelinha? Essa aguinha rala? – questionou ele, quando a minha porra espirrou sobre o lençol em gotas esparsas.
Apesar do prazer que foi expelir aquilo, eu me senti ainda mais humilhado com a observação dele. Pensei em responder alguma coisa, mas qualquer justificativa que desse não faria eu me sentir menos humilhado. Calei-me, e continuei gemendo. A mudança de posição fazia a pica do Lorenzo atingir outros pontos dentro das minhas entranhas e, ele se valeu disso para modificar o ângulo de inserção do cacete só para me ouvir ganir com suas estocadas firmes. Meu cuzinho ardia. A impetuosidade e a garra dele pareciam não ter fim. Quando senti que ele começava a se retesar, comecei a me preparar para receber seu clímax. Ele veio com as últimas estocadas, bem mais dolorosas que as demais, o inflar do cacetão, um som gutural vindo do peito do Lorenzo e, uma sequência de esporradas que foi inundando meu cu com aquele líquido espesso e pegajoso que, ao mesmo tempo que enchia o ar com o cheiro de sexo, provocava um formigamento ao aderir à minha mucosa anal esfolada.
- Isso é gozar, meu Kaduzinho! – suspirou ele, deixando o peso de seu corpo cair sobre o meu.
- Você é meu macho, Lorenzo! – balbuciei, feliz como nunca havia me sentido antes.
- E você é minha cadelinha! A mais doce e pura cadelinha que eu já tracei! – exclamou ele, ainda arfando. Eu ia protestar, dizer que não queria que ele me chamasse de cadelinha, mas estava feliz demais para dar importância a isso.
Passamos a repetir aqueles encontros duas, até três tardes por semana, enquanto os pais dele estavam no trabalho. Só não o fazíamos quando, ou ele, ou eu estávamos atulhados de afazeres; ele com os trabalhos da faculdade e eu com os exercícios do último ano de colégio e, depois, também com os trabalhos da faculdade. Toda vez que eu saía de lá, carregava o lençol manchado de porra e, às vezes, sangue, e algumas cuecas usadas dele. Ele havia determinado que eu passasse a lavar aquilo. Fiquei sem graça no primeiro dia, argumentei que a empregada ou a minha mãe podiam identificar que aquelas roupas não eram da casa. Ele simplesmente me encarou com aquele seu ar esquivo e me questionou se eu tinha entendido sua ordem. Sem esperar pela minha resposta, ele tornou a repetir, com uma lentidão irritante, que era para eu mesmo lavar o lençol sobre o qual ele tinha-me fodido e suas cuecas usadas, preferencialmente com estas mãozinhas delicadas, frisou debochado. Ninguém entendeu o porquê de eu passar a frequentar a lavanderia com tanta assiduidade nos últimos tempos. Apesar do prazer que eu sentia ao lavar especialmente as cuecas onde o cheiro almiscarado dele sempre estava impregnado, ficava com o coração quase saindo pela boca de tanto receio de ser flagrado com as roupas íntimas de um desconhecido nas mãos. Foi ele que me acordou bem cedo no dia em que saíram os resultados dos vestibulares, dando a notícia de que meu nome estava na lista de aprovados.
- Minha cadelinha já sabe onde vai comemorar essa conquista, não sabe? – questionou ele, com aquela voz grave que eu já conhecia só pela entonação.
- Num barzinho com você e os amigos? – provoquei, sabendo que ele ia ficar irritado com o que julgava ser uma falta de desconfiômetro minha.
- Na minha pica! – respondeu alto e agressivo. Eu ri. Ele me garantiu que eu não perdia por esperar o troco daquela gozação. Eu ri novamente. Ele gostava quando eu fingia não dar importância às suas ameaças.
- Amo você! – sussurrei ao telefone.
- Então vem para cá me dar um beijo. Estou precisando dos teus beijos. – devolveu ele, num rosnado manso e, com aquela voz de quem ainda não está completamente desperto.
Desci o lance de escadas que separava o andar do meu apartamento do dele e, três minutos depois eu estava diante da porta do apartamento dele se abrindo. Ele estava nu e de pau duro, me puxou para dentro com força e me prensou contra a porta que acabava de fechar. Arrancou meu short e ergueu-me pela bunda, a rola entrou em mim quase de uma só vez, eu gani, ele tapou a minha boca com uma das mãos e terminou de meter o cacetão no meu cuzinho. Quando se certificou de que eu não ia mais gemer tão alto, enfiou a língua na boca e saiu caminhando com minhas pernas ao redor de sua cintura em direção ao quarto. Lá eu o afaguei na nuca e retribuí seus beijos até ele me deixar todo galado.
Quando passei para o segundo ano da faculdade, ao regressar das férias, parte delas passadas em nossa casa de praia, e parte, numa viagem que eu e ele fizemos juntos para a África do Sul, notei uma mudança no comportamento do Lorenzo. Ele sempre se mostrou muito reservado, era sua característica principal, mas ele aprecia estar me ocultando alguma coisa. Logo comecei a imaginar que ele havia se interessado por outra pessoa, talvez alguém menos dependente de seus ensinamentos, talvez uma garota, talvez um cara com uma bunda mais gostosa do que a minha ou, uma boca mais experiente. Eram inacreditáveis as hipóteses que me vinham à cabeça. Não ousei perguntar nada, não queria ser invasivo, conhecia sua reação quando percebia que eu estava bisbilhotando onde não devia. Mas, aquela feição preocupada e taciturna me enchia de angústia.
- Que cara é essa? – perguntou, quando me flagrou observando-o de soslaio e, mudo já há um bom tempo, enquanto ele dirigia na volta do cinema.
- A minha! – respondi. Ele apertou a minha perna com força, eu tinha dado uma resposta de uma maneira que ele não gostava.
- Se fosse a sua eu não tinha perguntado. Anda desembucha!
- Você está estranho! E eu estou com medo. – não sei por que, mas quase comecei a chorar.
- Têm horas que eu subestimo esses seus olhinhos perspicazes. Você está certo. Faz dias que estou ensaiando um jeito de contar uma coisa. – disse ele, sem me encarar.
- Você não gosta mais de mim? – a primeira lágrima desceu pelo meu rosto simultaneamente à pergunta. Houve um silêncio perturbador. Ele encontrou uma brecha e estacionou o carro. Eu sabia que não vinha boa coisa por aí. – Eu não quero ouvir! – exclamei, antes de ele abrir a boca.
- Eu amo você! Sou completamente tarado e apaixonado por você! – mete isso na sua cabecinha de vento. Uma das mãos ergueu meu queixo e me forçou a encara-lo. Eu não gostava quando ele me tratava como se eu fosse um menino recém-saído dos cueiros.
- Não tenho cabeça de vento! – resmunguei, dando a ele mais convicção que ainda não era maduro o suficiente.
- Meu pai foi transferido para a filial canadense da empresa onde trabalha. Vamos nos mudar. Eu vou trancar a faculdade e ver se consigo terminar meus estudos por lá, pois desta vez ele deve ficar um bom tempo naquela filial. – revelou, sério como nunca o tinha visto antes.
- E nós? – balbuciei, chorando. – Eu não sei mais viver sem você!
- Sabe sim! Você é muito mais forte do que supõe. Não está sendo fácil para mim também. Desde que fui avisado da nossa mudança, não consigo para de pensar em você, em perder você para um babaca qualquer. – sentenciou.
Eu chorei a noite toda. Não conseguia inventar uma desculpa para os meus pais para justificar aquele estado de ânimo, que eles logo notaram, sem começar a chorar. O Lorenzo quis se despedir de mim transando. Aproveitamos que meus pais saíram com uns amigos para o teatro seguido de um jantar para transar no meu quarto. Nunca tínhamos feito isso antes. Ele meteu tanto em mim, com tanta brutalidade tentando extravasar a dor que sentia no peito que pensei que ele fosse me rachar em dois. Eu o afagava e o cobria de beijos, apertando sua pica entre a musculatura anal como se quisesse ficar com aquilo para sempre entalado em mim. Ele colocou tanta porra em mim que uma parte começou a escorrer pelo rego. Eu chorava e tentava impedir que seu sêmen me abandonasse travando o cu o mais energicamente possível. Quando ele terminou de me galar, baixou o olhar na minha direção, eu tomei seu rosto entre as mãos e seus olhos estavam marejados. Ele me beijou demoradamente, vasculhando cada canto da minha boca com sua língua. Quando me soltou, levantou-se, pegou apenas a bermuda e a camiseta e me deixou ali deitado, sussurrando um ‘tchau’ sem olhar para trás. Eu me encolhi como um feto e chorei até adormecer entorpecido.
No dia seguinte, acordei tarde, sentei-me na cama, eu estava todo úmido por dentro, ainda era a porra dele que não tinha sido totalmente absorvida, pois ultimamente meu corpo absorvia quase toda a porra que ele colocava em mim. Vi a cueca dele atirada displicentemente sobre a poltrona onde também estiveram sua bermuda e sua camiseta. Levantei-me com dificuldade devido à dor no cu e fui pegá-la. Coloquei-a no meu rosto e a cheirei, em outros tempos teria pudores para fazer isso, mas aquela era a cueca que meu macho havia usado e, eu a guardaria por muito tempo, tal como estava. Quando olhei para a cama, vi que o lençol estava manchado de sangue, era meu, um filete descia lentamente pela minha coxa. O Lorenzo havia me marcado de um jeito que eu jamais esqueceria. Voltei a me encolher sobre o lençol e chorei.
A separação abrupta do Lorenzo, sem que nenhum de nós pudesse fazer qualquer coisa em contrário, naquela época, fez com que eu não desse mais vazão ao meu lado afetivo e homossexual. Vivi anos fazendo de conta que não percebia as cantadas que levava na faculdade, estendi essa indiferença às abordagens que levei durante a pós-graduação no exterior e, me ative a doce lembrança do que havia vivido com Lorenzo. Quando a saudade apertava demais, eu tomava a cueca dele, guardada numa caixinha como se fosse um talismã, e a cheirava entre beijos e lágrimas. Ele havia mesmo conseguido não apenas me disciplinar, mas deixar sua marca incrustada no meu coração. Foi nessa condição que eu me reencontrei com o Paulão, indiferente a olhares de cobiça, a comentários sobre minha sexualidade e, a piadas constrangedoras.
Eu havia sido contratado com outros quatro e engenheiros, também recém-formados, num momento de expansão da empresa, quando ela atendia a um contrato para fornecimento e instalação de turbinas do tipo bulbo para a hidrelétrica de Jirau a 150 quilômetros de Porto Velho, em Rondônia, no rio Madeira. Depois de um período de adaptação que durou cerca de seis meses, eu e os outros recém-contratos, mais três engenheiros com algum tempo a mais de casa, entre eles o Paulão como líder da equipe, fomos enviados para Rondônia para a instalação das 50 turbinas responsáveis pela geração de energia, numa etapa denominada montagem eletromecânica, pois as obras civis estruturais, ao encargo de um consórcio de outras empresas, já haviam sido quase que completamente concluídas.
Cada empresa responsável por uma etapa da gigantesca obra construía e mantinha seus alojamentos para abrigar tanto o pessoal quanto os escritórios onde se concentrava o serviço. A falta de infraestrutura suficiente para abrigar o contingente de trabalhadores envolvidos na construção da hidrelétrica fez com que uma cidade, para abrigar cerca de 15 mil habitantes, fosse construída no canteiro de obras. Nossa empresa construiu um alojamento para os engenheiros e, outros seis para o pessoal técnico, de execução e auxiliares, além de alguns galpões para guarda de materiais, veículos, assistência médica e telecomunicações. O Alojamento dos engenheiros era bastante diferenciado dos demais. Cada um de nós dispunha de um quarto amplo, uma pequena saleta e banheiro privativo, dispostos ao longo de uma construção térrea cercada por uma área ajardinada e um pouco preservada da movimentação de máquinas, pessoal e transporte de materiais. No centro dela, logo na entrada, havia uma ampla sala de uso comum, com, mesas de pebolim, uma ampla televisão conectada via satélite, e uma cozinha anexa onde uma cozinheira preparava as refeições básicas. A necessidade desse diferencial devia-se ao pouco interesse que engenheiros com mais experiência tinham de se enfiar naquele fim de mundo, sujeito a contrair doenças da Amazônia tropical e, afastar-se da família, o que resultava na quase totalidade ser de solteiros em início de carreira. Apenas o Paulão e o Ciro eram casados, mas não tinham filhos, os demais eram todos solteiros. A cada seis meses, tínhamos direito a três semanas de folga além das férias normais. O salário era extremamente vantajoso, nenhum engenheiro recém-formado recebia um décimo dos nossos vencimentos, afora uma gratificação anual bastante significativa. Foi isso que me atraiu a princípio, mais do que a oportunidade de trabalhar num projeto daquela envergadura que, bem ou mal, sempre seria um diferencial no meu currículo.
Eu tinha um bom relacionamento com os colegas que foram para Rondônia comigo. Era um relacionamento profissional, amistoso dentro das possibilidades, mas que não chegava a ser uma amizade propriamente dita. Por questões passadas, a única exceção era o Paulão. Durante os meses de adaptação à empresa, nosso contato foi o mínimo possível, ambos se evitavam mutuamente. Eu porque guardava viva na memória nosso passado no colégio, e ele porque se assumia como um heterossexual convicto, um fodedor, um cara que tinha tanta aversão a uma bicha quanto de um leproso.
Naquele isolamento e, assoberbados de trabalho, restavam poucas opções de diversão. Isso nos aproximou e fez com que aquele relacionamento amistoso do escritório fosse se transformando em algo mais sólido, pois íamos nos conhecendo melhor a cada dia. Eu era um dos mais retraídos, não só porque o convívio tinha deixado os caras mais audaciosos e, sabedores da minha condição devido aos relatos pouco discretos do Paulão, como pelo fato de passarem a me conhecer mais a fundo, começaram a me tratar como se eu fosse o mais frágil e desprotegido dos engenheiros. A falta de mulheres no canteiro de obras, à exceção de faxineiras, serviçais, cozinheiras e, até algumas prostitutas que divertiam a peãozada nos finais de semana, deixava a galera numa situação precária e carente em termos sexuais. Sempre fui um cara calorento e, naquele fim de mundo úmido e tórrido, não via a hora de acabar o expediente, tomar uma ducha – eu tomava quase meia dúzia delas durante o dia – e me por mais confortável no ar-condicionado do meu aposento. Justamente por usar exclusivamente shorts quando não estava trabalhando, eu evitava sair do quarto, pois desde há muito eu conhecia o efeito que a minha bunda tinha sobre os machos. No entanto, às vezes, era inevitável que me vissem circulando nas áreas comuns nesse traje sumário. O pouco que viram foi o suficiente para começarem a zoar comigo. Uma hora era um simples e discreto tapinha nas nádegas carnudas, que ao estalar, vinha acompanhado de alguma observação libertina, ora era uma secada coletiva seguida de piadinhas libidinosas, ora um mais atrevido me dava uma encoxada quando me encontrava distraído ou compenetrado em outra coisa e, por aí seguia a sacanagem. Eu estava acostumado a isso e não esboçava reações que pudessem alimentar ainda mais essas práticas. Contudo, o tesão deles crescia, junto com a curiosidade e, a tentativa de descobrir como um sujeito com as minhas feições, que facilmente podiam ser encontradas em capas de revistas, meu jeito carinhoso e risonho de lidar com todo mundo e, aquele corpão escultural, podiam ser providenciais naquela situação em que nos encontrávamos. Um dos mais brincalhões e, que costumava ir muito além dos limites dos demais, era o Fernandinho, que tinha justamente esse apelido por ser um nanico de não mais do que um metro e setenta; comparado aos demais, todos acima de um metro e oitenta e alguns chegando a um metro e noventa, como era o caso do Paulão. Ele era extremamente divertido, tinha um repertório de piadas fabuloso, creio até que algumas inventadas enquanto as narrava de um jeito muito engraçado. Eram risos certos. Justamente por termos uma grande diferença de altura, ele vivia dizendo que eu era o homem dos sonhos dele, naturalmente invertendo a ordem da afirmação para não afirmar diretamente que eu era viado. Quando estávamos tomando o café da manhã ele me mandava beijos por sobre a mesa, dizia que tinha sonhado comigo a noite toda, me perguntava se eu queria ver como tinha deixado empolgado seu falo e coisas no gênero. Obviamente, a galera já começava rindo logo cedo pela manhã. Eu não podia assistir TV na sala comum, pois ele logo vinha sentar-se ao meu lado e começava a me bolinar, insinuava que queria me levar para seu quarto, e chegava a exibir escancaradamente sua ereção, provocada por suas próprias falas. Isso meio que abria o caminho para os demais também se acharem no direito de fazer brincadeiras desse naipe. O fato é que, eu me via obrigado a driblar aqueles assédios, alguns beijos na nuca, passadas de mão na bunda ou nas coxas e outras tantas ousadias, levando tudo na esportiva, só para não criar um climão e tornar a convivência naquele alojamento num inferno maior do que aquele que a própria circunstância já provocava. Quem raramente participava ou ria dessas brincadeiras era o Paulão. Ele vivia tão ou mais recluso do que eu em seu quarto, ficava pouco nas áreas comuns, apenas o estritamente necessário para as refeições e um ou outro jogo de futebol que gostava de assistir com a galera, pois alegava que fazê-lo sozinho não tinha a mesma graça. Nesses momentos era eu quem me ausentava. Primeiro para não estar no mesmo espaço que ele, segundo por que eu detestava futebol e outros jogos típicos de cuecas como ele mesmo se referia a videogames onde os objetivos eram exterminar um inimigo, destruir uma fortaleza ou simplesmente derrotar um bando de elementos do mal com uma fuzilaria desmedida e bombas virtuais que faziam a tela da TV parecer um céu de festividades juninas. Quando algum deles me convidava a participar e, eu declinava, ele perversamente comentava – isso é jogo para cuecas, não faz o gênero dele – sempre em voz alta para que eu o ouvisse. Porém, uma das coisas que o deixava mais puto, era quando eu fazia um elogio ou fazia algo para agradar um deles, como guardar uma porção de sobremesa muito disputada, dividir barras de chocolate ou outros mimos, sem nunca fazer o mesmo com ele.
Poucas semanas depois da nossa chegada a Rondônia, o pessoal começou a reclamar da comida que a cozinheira fazia. Um trivial sem muita criatividade, gosto duvidoso, ora cozido demais, ora quase cru e por aí vai. A coitada não fazia melhor por que nunca precisou cozinhar para alguém que não fosse um peão de obra varado de fome e, que comeria até pedras se o cardápio se restringisse a isso. Comecei a intervir aos finais de semana, sem magoá-la. Ficava um tempo com ela na cozinha e ia mostrando como dava para variar com a pouca variedade da qual ela dispunha. Porto Velho, a capital, era um fim de mundo por si só, encontravam-se poucas opções, muito caras e, de péssima qualidade. Quase não havia frutas e verduras e, ao que parecia, a população não estava nem habituada a consumi-los. As verduras, consegui resolver em praticamente dois meses, pois desviei uns peões da obra para fazerem uma horta nos fundos do alojamento. Pesquisando os poucos restaurantes de Porto Velho, descobri alguns colonos vindos do sul do país que tinham uma produção bastante restrita, porém fresca. Eles também se dispuseram a abastecer o canteiro de obras da usina em viagens semanais. Em pouco tempo, a galera notou a diferença à mesa, e logo começaram os pedidos especiais tentando matar as saudades de casa, da comidinha da mamãe. Eu os atendia na medida do possível e, logo me transformei num cuidador de marmanjos saudosos, cheios de testosterona e loucos para encontrar carinho no meu jeito doce e meigo de ser. Algumas vezes cheguei a pensar na ironia da situação, se eu fosse uma puta não me faltariam clientes naquele alojamento.
No aniversário do Alberto eu me pus a fazer um bolo com a ajuda da cozinheira, era o primeiro tanto dela quanto meu. Seguimos uma recita capturada na Internet à risca. Ficou melhor do que eu esperava. Um bolo naquele fim de mundo era um luxo. Por ser um domingo fiz questão de reunir toda a galera no café da manhã e homenagearmos o aniversariante. Rolava um clima descontraído, as inevitáveis observações sobre meus dotes culinários que logo passaram a se misturar com meus dotes físicos, uma declaração jocosa de amor do Alberto e, até um atrevido pedido para eu lhe entregar o seu presente no quarto dele. A farra corria solta, obviamente sem a presença do Paulão. No entanto, ele apareceu do nada, aproximou-se de mim e colocou um copo, ao lado do que eu já tinha à minha frente, com uma incrível quantidade de porra.
- Para você! Por ser tão prendado! Vai te fazer muito bem! – exclamou, no que mais parecia o rugido de um leão.
A princípio não acreditei no que estava vendo, cheirei para ver se não estava fazendo um julgamento precipitado e errôneo e se, o que eu ia dizer, não fosse apropriado. Da algazarra ao redor da mesa só ficou um silêncio embaraçoso.
- Se for sua e, produzida de uma única vez, meus parabéns! Mas, essa está fria. Eu prefiro morna, diretamente da fonte, o sabor é inigualável e dá muito mais tesão. Portanto, vou dispensar essa coisa sonsa. – ironizei, deixando todos surpresos, inclusive o Paulão, que esperava que eu ficasse perdido e sem reação com aquela grosseria. Levantei-me, completei o copo com água na pia e despejei tudo dentro do ralo. Ele saiu pisando firme, e a galera voltou a rir e fazer piada.
Numa relativa harmonia no alojamento os meses foram se sucedendo, uma ou outra vez havia uma súbita elevação de vozes ou uma discordância sem grandes repercussões. Quando havia a necessidade de alguma intermediação para que os ânimos serenassem, geralmente era eu quem intervinha, ou por vontade própria ou porque me pediam para fazê-lo. Aos poucos, fui notando que aqueles marmanjões, que longe de um controle maior ainda agiam como se fossem verdadeiros moleques, não só se preocupavam comigo como também cuidavam para que nenhum outro funcionário das outras empresas entrasse em discussão comigo, pois não raro, as condições precárias nas quais trabalhávamos deixavam os ânimos exaltados e, bate-bocas acabavam sendo inevitáveis e, se porventura, isso acontecia, eles me defendiam com unhas e dentes.
Durante as férias do Paulão, quando ele havia retornado a São Paulo, houve um episódio desses. Não diretamente comigo, mas que um engenheiro do consórcio responsável pelas obras civis, acabou descarregando comigo. O Alberto tomou minhas dores e foi tirar satisfações com o sujeito, chegaram às vias de fato.
- Você não deveria ter feito isso! Deixasse para lá! Se a coisa não parar por aí, pode resultar em demissão, e eu não quero que você se prejudique por minha causa. – argumentei, colocando uma bolsa de gelo e fazendo uma compressa em seu supercílio onde havia um pequeno corte que sangrava bastante.
- Eu já estava de olho nesse filho da puta faz tempo. Cara folgado! O próprio chefe dele admitiu que o erro tinha sido deles e que estavam tentando contornar o problema. Aí vem esse filho da puta e quer jogar a responsabilidade pelo erro em cima da gente. Vá à merda! Quando vi que ele estava te atazanando com a mesma ladainha, não consegui me controlar. Fazia tempo que estava doido para dar uns sopapos na fuça do sujeito. – esbravejava o Alberto.
- De qualquer maneira, tendo razão ou não, sua atitude foi péssima. Só espero que não haja maiores consequências. – retruquei.
- Pode-se dizer que ganhei o dia. Descarreguei minha raiva no puto e ainda recebo seus cuidados. Sabe que ele me acertou um chute no saco. Você bem que poderia dar uma espiada para ver se não ficaram sequelas. – murmurou entre risos safados, enquanto os demais me viam cuidando dele.
- Sequelado no saco você vai ficar se continuar com essas gracinhas. – adverti, num tom de gozação. Todos riram.
- Que cara insensível! Salvei sua vida e você me trata dessa maneira. – resmungou.
- Larga a mão de ser exagerado! Salvou minha vida, era só o que me faltava! E, se você não parar quieto vai terminar de cuidar dessa cara amassada sozinho. – devolvi.
- Ele está pior. Só não consegui me esquivar de um ou dois socos dele. – revidou, procurando valorizar sua atitude máscula.
- Eu imagino se não tivesse conseguido! Bebezão chorão! – provoquei.
- Você está do meu lado ou contra mim? Vou te mostrar o bebezão chorão! Só de sentir essas mãozinhas de fada no meu rosto ele já está chorando aqui dentro, é só conferir. – revidou, abrindo as pernas e exibindo uma ereção que já tinha formado uma rodela úmida no tecido da calça.
- Tarado! Arranje-se sozinho! – exclamei, ante a visão daquela jeba impudica pulsando dentro da calça. Foi uma gozação geral do pessoal, enquanto eu me afastava e ele suplicava para que eu não o abandonasse daquele jeito.
Eu nunca tinha visto nenhum deles pelado. Os quartos individualizados favoreciam essa privacidade. Mas, aos finais de semana, quando todos andavam pelo alojamento apenas com um short, muitas vezes sem uma cueca por baixo, percebi que, à exceção do Ciro, os demais tinham uns cacetes bem desenvolvidos, uns mais até do que os outros. Vê-los balançando livres entre aquelas pernas peludas me trazia boas recordações e, era inevitável imaginar um deles alojado em mim recebendo meus afagos anais. O Alberto era um dos que não escondiam sua condição privilegiada, talvez querendo intimidar os outros. O Fernandinho apesar de baixinho, ou até por conta da baixa estatura, deixava evidente uma desproporção entre o tamanho da pica que tinha entre as pernas e sua altura. De qualquer forma, a benga bem provida balançava pesada debaixo do short folgado.
Quando o Paulão voltou das férias estava muito mudado. Estava mais calado que de costume; mal se podia falar com ele sem que devolvesse respostas grosseiras, o que era comum para comigo, mas que se estendeu para todos; se irritava por qualquer contratempo no trabalho e descontava sua ira nos técnicos ou nos peões; e se isolou em seu quarto na maior parte do tempo. Só fomos descobrir a causa daquela mudança quando o Ciro voltou de sua folga de três semanas a que tínhamos direito a cada seis meses. A esposa do Paulão havia esperado a chegada dele para lhe entregar a papelada do divórcio, alegando que não estava disposta a ficar separada e sem marido por longos períodos. Antes de vir para Rondônia eu já tinha ouvido boatos que o casamento dele não andava bem, mas como nada vindo dele me despertava o menor interesse, passei batido.
Com o Paulão distribuindo coices para todo lado, surgiu uma questão que ficou rodando mais de uma semana sem solução, pois ninguém se aventurava a chegar nele e apontar uma inconsistência numa planilha que ele havia elaborado. Foi um empurra-empurra danado até que o prosseguimento das obras exigia uma retificação urgente na planilha. Eu já havia notado aquela hierarquia velada em relação ao Paulão, que ia muito além da posição de líder que o diretor da nossa área havia imposto ao pessoal. Era como se todos o reconhecessem como o macho alfa, aquele com a primazia para copular com as fêmeas, aquele que apenas com o olhar e, uma ou outra atitude menos explícita, já conseguia colocar todos em suas devidas posições, aquele que dominava sem precisar se impor e, sem que ninguém o admitisse, acabavam se sujeitando a ele. Eu raramente levava alguma questão do trabalho para ele, não só porque tinha plena consciência da qualidade do meu trabalho, como pela questão pessoal. No entanto, a urgência que a situação na obra tomou me obrigou a levar a questão ao conhecimento dele.
- Podemos conversar um instante, Paulão? Estamos precisando resolver uma questão no canteiro ou os técnicos ficam parados. – disse, aproximando-me de sua mesa, após regressar do canteiro de obras. A grande sala conjunta do escritório ficou tão silenciosa que, se uma folha de papel caísse no chão, todos ouviriam. Só se ouviam os sons constantes e distantes vindos do canteiro. Ele mal olhou para mim.
- O que é? – rosnou.
- Eu gostaria que você revisasse sua planilha, fazendo um favor, há uma inconsistência que precisa ser sanada para o pessoal no canteiro não ficar parado. – afirmei, com a voz firme e resoluta.
- Que porra de ‘inconsistência’ é essa? Você está querendo me dizer que cometi um erro? É isso? – revidou ele, erguendo a voz para chamar a atenção de todos sobre si, o que era perfeitamente dispensável, pois assim que me aproximei de sua mesa todos já sabiam o que estava para acontecer.
- Eu não disse que você cometeu um erro! Eu só estou observando uma inconsistência. – respondi calmamente.
- Inconsistência deve ser a palavra que os boiolas usam para se referir a um erro. – retrucou, com um risinho debochado.
- Bem! Se você acha que são sinônimos, então é isso. Sua planilha tem um erro. – devolvi. Ele ficou furioso.
- E é justamente você quem vem me dizer isso! Que eu cometi um erro. – berrou exasperado.
- Sim! Os técnicos estão lá esperando por uma resposta minha quanto ao que fazer. Você tem uma estimativa de quanto tempo vai levar para corrigir seu erro? – questionei.
- Os técnicos que se fodam! Que esperem até morrerem secos! Onde está o erro nessa porra? – perguntou, agitando as folhas de papel a centímetros do meu rosto. Enquanto ele lançava um olhar percorrendo a sala, o pessoal ia abaixando disfarçadamente as cabeças como se estivessem alheios à discussão.
- Você certamente há de encontra-lo! – revidei, deixando-o parado e perplexo com a minha atitude.
- Eu ainda não te dispensei! – berrou, às minhas costas.
- Eu me dispensei! Tenho outros assuntos a resolver. – se ele pudesse tenho a certeza de que me daria um soco ali mesmo.
Voltei aos meus afazeres como se o incidente não tivesse acontecido. Desde o colégio eu aprendi a me blindar daquele sujeito, da sua arrogância, do seu preconceito, do seu deboche. Sabendo que ele ia ignorar a questão da planilha até aquilo se transformar realmente num problema que afetaria outros, eu me pus a revisar e consertar os dados inconsistentes para, no dia seguinte, ter um posicionamento frente aos técnicos.
Conforme eu havia previsto, na tarde do dia seguinte uma pequena comissão de técnicos veio ter no escritório, querendo uma solução e, afirmando que em poucas horas teriam que suspender o trabalho. O técnico que capitaneava o grupinho era bem petulante e não cedeu nem se intimidou com a voz alterada do Paulão. Eles começaram a bater boca. Suspeitando que aquilo estava prestes a se transformar num incidente muito maior, chamei o técnico para a minha mesa e lhe entreguei a planilha corrigida. Ele me agradeceu com um sorriso e um elogio e levou seu grupo de volta ao trabalho. Não precisei esperar nem dois minutos para que o Paulão estivesse do meu lado e desferisse um soco sobre a minha mesa, fazendo os objetos sobre ela darem um salto no ar.
- Que porra foi essa? – gritou, tão alto que até as pessoas do lado de fora do escritório ouviram o destempero.
- Isso não foi porra! Se você não conhece, porra é algo muito mais sublime do que a correção de uma cagada. E, foi apenas isso que eu fiz. – respondi. Risinhos disfarçados começaram a ecoar pelo escritório.
- Eu devia te mandar a puta que o pariu, mas vou fazer melhor, vou sugerir a sua dispensa da empresa. – retrucou furioso.
- Não vai ser necessário! Eu já providenciei um e-mail esta manhã para São Paulo pedindo minha demissão. Percebi que a minha cota de aguentar suas grosserias acabou mesmo no colégio, não tenho mais saco de aturar você. – revidei na maior passividade. Os cochichos de perplexidade podiam ser ouvidos nitidamente agora. O Paulão perdeu a posse e ficou mais perdido do que um garotinho que se desvencilha dos pais num shopping lotado.
No escritório, ninguém quis conversar comigo a respeito do meu pedido de demissão, porém ao chegarmos ao alojamento formou-se uma rodinha à minha volta tentando entender porque eu havia agido assim. Pediram-me para reconsiderar, diziam que não deixariam que o pedido fosse aceito e, que eu estava me prejudicando sem necessidade. Estavam todos indignados.
Toda a calma com a qual eu havia lidado com a situação desapareceu assim que entrei no meu quarto. Eu sabia que tinha metido os pés pelas mãos, me precipitado, agido com infantilidade. Se toda vez que um sujeito como o Paulão me tirasse do sério e eu fosse tão radical, jamais seria uma pessoa equilibrada e madura. Mas, agora não adiantava mais lamentar, a coisa estava feita. Fiquei remoendo como nós gays nos abalamos com atitudes e comentários de pessoas como o Paulão, de como isso dói, magoa e nos reprime. Só não comecei a chorar por que havia me imposto essa condição, eu jamais derramaria uma única lágrima sequer por um babaca como ele. O sono não vinha e, pouco depois de me sentar na cama e retomar a leitura do meu livro de cabeceira, o Paulão invadiu meu quarto, pois raramente um de nós trancava as portas dos quartos. Era uma e quarenta da madrugada.
- Eu já mandei um e-mail para São Paulo avisando para desconsiderarem seu pedido de demissão. Você ficou maluco? – começou ele.
- Não fiquei maluco não! Estou é cheio dessa sua cara, das tuas grosserias, das tuas ofensas. – respondi.
- O que te falta é um macho! – revidou.
- Saia daqui! – exaltei-me, jogando o livro para o lado e saindo debaixo do lençol que cobria apenas as minhas pernas, ignorando que trajava apenas uma cueca e, parti para cima dele procurando empurrá-lo para fora do quarto.
- E, você acha que vai conseguir me tirar daqui? – ironizou, quando não consegui fazer aquelas duas pernas vigorosas darem sequer um passo em direção à porta.
Foi ele quem acabou me empurrando de volta para a cama, enquanto eu me debatia cerceado por seus braços. Ele deixou seu peso cair sobre o meu corpo e, vendo que eu esta prestes a chamar por ajuda, tapou minha boca com a sua mão.
- Quieto! Você vai me ouvir, por bem ou por mal. – sentenciou, encarando meu semblante desesperado.
Eu o ignorei, continuava a tentar me desvencilhar dele. Um tapa estalou na minha coxa nua e, a perplexidade da ação me imobilizou. Ele prendeu minha cabeça e me beijou exercendo força demasiada contra a minha boca, até sentir que eu a abria lentamente, não por sua ação, mas por que aquele toque quente e enfurecido começava a me excitar. Minhas mãos que estavam empurrando aquele tronco apoiadas em seus ombros, subitamente deixaram de fazer força e, estavam quase se prendendo a ele. A língua do Paulão me penetrou, decidida, e me vasculhando despudoradamente. O sabor másculo da sua saliva começava a embotar meus pensamentos. Minha cueca desceu pela mão dele que agarrava minha nádega e a amassava. A ereção dele saiu do short e resvalava em mim próximo ao umbigo. Eu vociferava qualquer protesto que não chegava a ser compreensível, uma vez que a língua dele não me deixava articular as palavras. O Paulão era quente, sua pele estava ligeiramente suada e minhas mãos escorregavam por ela, excitando-o. Num súbito de fraqueza notei que ela, colada à minha, até que era bastante agradável. Aos poucos, toda aquela agitação e confronto inicial, foram se transformando numa pegação libidinosa. Ele meteu um dedo no meu cu e me obrigou a encará-lo, segurando meu queixo com a outra mão.
- Vou te foder! – rosnou. Não era uma ameaça, não havia raiva em seu tom de voz, era apenas um aviso que mais se parecia com um pedido para que eu cedesse.
- Não Paulão! Você é um ogro, um bruto! – balbuciei, deslumbrado com a ideia.
- Vou te doutrinar até você aprender a não questionar as atitudes de um macho. – disse desfaçadamente.
- E você acha que me estuprando vai conseguir o que quer? – questionei.
- Eu não vou te estuprar! Eu vou te foder consensualmente. Eu vou te fazer ceder ao meu desejo. – sussurrou ele, cada vez mais excitado.
- Você me deseja? – provoquei.
- Seu puto, lindo, gostoso, tesudo do caralho! Você não deu para mim na época do colégio por conta de ser tão marrento. Naquela época eu era mais retraído, não sabia bem como chegar num outro cara, mas agora eu sei como se fode um viado para ele ficar bem disciplinado. – retrucou.
- É isso que você chama de saber como chegar num outro cara? Pega-lo à força, não deixa-lo agir por vontade própria?
- Com você tem que ser assim! Você não percebe quando um macho está parado na sua? Então, só radicalizando. – devolveu.
- Eu não quero nada com você!
- Quer sim! Teu beijo diz que quer, teu corpo todo trêmulo nos meus braços diz que quer, é só essa sua cabeça teimosa que insiste em dizer o contrário. Mas, um macho sabe como doutrinar essa cabecinha.
E, antes que eu pudesse esboçar uma resposta ele tornou a colar a boca na minha e, aquele dedo penetrou mais fundo em mim e, ao se mover em círculos dentro do meu cu, começou a me fazer gemer. Eu não aceitei seus argumentos, mas estava tão saudoso de um macho estar dentro de mim que foi impossível não agarrar os cabelos do Paulão e retribuir seus beijos. Ele se liberou do short e me exibiu seu caralhão, um tronco grosso e grande, bem cabeçudo, com um intrincado esboço sinuoso de veias por onde se podia notar o sangue excitado pela adrenalina nutrindo aquela carne que ia se enrijecendo e empinando feito uma grua.
- Você não disse que gostava de saborear a porra na fonte? Pois aí está, vamos ver se dá conta de tudo que tenho para te dar. – provocou, encantado com o meu olhar de admiração e aprovação. – Põe na boca e chupa!
A ordem foi completamente desnecessária. A cabeçorra molhada e aquele cheiro másculo já haviam tomado a decisão por mim, eu só caí de boca. Ele grunhiu quando meus lábios se fecharam ao redor da glande e começaram a sorver aquela umidade. Foi desconcertante descobrir que eu gostava dela, pois identificar-se e sentir prazer no sabor de um macho era o primeiro passo para se submeter às suas vontades. Não me importei muito com tais escrúpulos ao constatar que estava cheio de tesão por ter aquela jeba suculenta na boca. Chupei-a por inteiro, devota e carinhosamente, sondando com as pontas dos dedos cada recanto daquela virilha máscula. Dediquei um bom tempo ao sacão e seu conteúdo taurino, dois imensos e globosos testículos que me moviam pesados conforme eu os apalpava numa suavidade que fazia o Paulão soltar o ar entre os dentes num chiado de excitação.
- Putinho! Você sabe mesmo como fazer isso, não é? – grunhiu, agarrando meus cabelos próximos à nuca, e puxando minha cabeça para trás para que pudesse ver meu rosto e, principalmente, minha boca mamando sua rola.
Eu não pensava em nada além daquele copo com porra que ele havia colocado diante de mim na manhã do aniversário do Alberto, da quantidade que havia nele, do seu cheiro peculiar, da sua cremosidade sedutora. Por duas vezes ele tirou rapidamente a pica da minha boca tentando prolongar aquele prazer antes de gozar. Dirigi-lhe um sorriso triunfal e ao mesmo tempo suscitador, o que o deixou ligeiramente perturbado ao se dar conta de ser incapaz de resistir aos meus predicados. Não perdi tempo, recolocando a pica na boca e voltando a suga-la e acaricia-la com a minha língua hábil e, nem ele, sentindo sua tenacidade ruindo ante tantas carícias e, cedendo ao prazer que a minha boca o fazia experimentar. A mão que agarrava meus cabelos aproximou ainda mais meu rosto fazendo com que os pentelhos dele roçassem minha pele, enquanto a outra segurava o pau garantindo que não saísse da minha boca. Então ele gozou. Inundou-me com sua porra, morna e cremosa, levemente doce e amendoada, deliciosamente viril. Eu mal dava conta de engolir um daqueles jatos fartos quando o seguinte já explodia na minha boca, acompanhado de urros roucos que o Paulão deixava escapar de seus lábios retorcidos pelo tesão. Eu nunca engoli tanto esperma de uma só vez. Foi excitante ver como o Paulão ejaculava copiosamente sob o efeito dos meus estímulos afetuosos.
- Ah, Duduzinho, seu puto! Você vira a cabeça de qualquer macho, seu putinho! Gostou da porra do macho, não gostou? Fala, putinho! Fala olhando para mim que gostou da minha porra, safado, fala! – ele não cabia em si de felicidade com o que acabara de acontecer.
- Pode se desmanchar, eu gostei sim. Não tenho vergonha de admitir, seu sêmen é delicioso. – retruquei, enaltecendo seu ego.
Pensei que ele fosse me deixar em paz depois da gozada. Talvez, na manhã seguinte, se vangloriaria diante da galera dizendo que tinha me feito mamar sua rola até a última e derradeira gota, provando que eu não passava de um boiola como tantas vezes proclamou. Mas ele permaneceu no quarto, puxando-me para junto dele e me beijando devassamente. Depois de ter engolido toda aquela porra, eu estava quase tão inebriado quanto se tivesse tomado algumas doses de uísque, tudo flutuava ao meu redor, e se movia numa lentidão que distorcia as paredes do quarto como se elas fossem fluidas. O que me sustentava eram aqueles braços musculosos, aquele peito trapezoidal que arfava descontrolado ao sentir a proximidade luxuriosa do meu corpo. Antes de me colocar atravessado e de bruços sobre a cama, ele me beijou apertando meu queixo, e me encarou com os olhos âmbar procurando por algo no fundo dos meus. Ele se ajoelhou ao lado da cama e das minhas pernas abertas, e mordiscou minhas nádegas, ora com delicadeza, ora numa selvageria temerosa. Ao mesmo tempo em que ia abrindo meu rego, seu rosto cerdoso pinicava minha pele lisa e sensível, enquanto sua língua lambia minhas pregas numa sofreguidão tresloucada. Eu gemia quase convulsionando de tesão.
- O cuzinho do puto está pronto para receber os machos. – observou, o que fez pensar que, mesmo nunca mais tendo feito sexo com outro homem depois do Lorenzo, eu continuava a fazer minha higiene íntima como se fosse transar dali a pouco. Foi um hábito que incorporei e, talvez, subconscientemente, o fato de estar cercado de machos que não paravam de demonstrar suas intenções para comigo, me tenha feito apura-lo, mesmo eu me negando a ter qualquer contato com eles.
Ele parecia ter perdido a sanidade ao ver meu cuzinho, limpo e cheiroso, se contorcendo de tesão. Ele o linguou num desvario febril, arremetendo contra as preguinhas rosadas, que chegava a morder com força, como se elas o impedissem de chegar ao cerne daquele buraquinho cativante. Meu corpo todo tremia, eu não conseguia fazer nada além de suspirar freneticamente. Com as minhas pernas abertas pendendo para fora da cama, ele se deitou sobre mim, me encurralando e me prensando contra o colchão. Aquele caralhão imenso e babão que eu havia provocado com a minha boca, agora deslizava dentro do meu rego, umedecendo-o. Por trás da porta que o Paulão não havia fechado completamente, o pessoal se juntou atraído por aqueles sons libidinosos que ecoavam na madrugada silenciosa do alojamento. Embora a abertura não permitisse que vissem o que estava rolando dentro do quarto, os gemidos, as respirações excitadas, a troca de sussurros que ora permitia ouvir o que dizíamos ora não passava de palavras ininteligíveis, tinham deixado todos de pau duro. Uns não conseguiam nem deixar de manipulá-los, outros apenas os deixavam endurecer livre e prazeirosamente.
- Você está querendo se vingar pelo que aconteceu no escritório, eu sei. Eu não quero que você me foda! – deixei escapar num ganido, quando a pica do Paulão babava diretamente sobre a minha rosquinha.
- Quer sim! Esse cuzinho está pedindo por um macho. – ronronou ele, começando a forçar a cabeçorra no meu buraco.
- Não, Paulão, por favor!
- Não o que?
- Você é um bárbaro, um ogro! – gemi, pois ao mesmo tempo em que meu corpo o desejava, minha mente se lembrava de quem ele era.
- Você não vai se lembrar disso quando eu te foder! – grunhiu, roçando seus lábios úmidos no meu pescoço, e metendo boa parte daquele cacetão no meu cu numa estocada bruta, apenas para que eu tomasse consciência de quem era ele.
- Ai, Paulão! Bruto! – gritei, agarrando e amassando o lençol na palma das mãos.
Depois da penetração animalesca e da força com a qual ele me retinha em seus braços, eu esperava ser rasgado e machucado sem dó por aquele macho das cavernas. Porém, para minha surpresa, ele terminou de me penetrar com uma delicadeza e um cuidado assombrosos. O cacete deslizou para dentro de mim causando dor, mas, simultaneamente, um prazer que há muito eu não sentia. O Paulão virou meu rosto de lado para poder alcançar a minha boca e beijá-la, enquanto metia cadenciadamente a rola grossa no meu cuzinho. Meus gemidos eram abafados entre os lábios dele, propositalmente abertos e sequiosos, para receber meu clamor. Ele metia sem pressa, prolongava seu prazer de estar dentro daquela carne úmida e acolhedora, permanecendo rijo e parado por algum tempo, só para não apressar o gozo. Aos poucos meu corpo retesado e contraído foi ganhando uma malemolência lânguida, passando a não sentir mais aqueles braços como grilhões, mas como cabeços de um cais onde eu podia me amarrar com segurança.
- Putinho fêmea, você é gostoso para caralho! Era disso que você estava precisando, não é? De um macho para se entregar como está fazendo agora, minha femeazinha carente. – sussurrou ele.
- Não sou fêmea! Nem putinho! – protestei, sem muita ênfase.
- Você é, e vai ser a minha fêmea! Essa aparência de homem é só uma casca que recobre a sua essência. Precisa que eu te mostre que sou seu macho?
- Não! – eu entendi a ameaça por trás da pergunta. Ele tinha deixado explícito que era meu macho quando me penetrou daquela maneira bruta, sabendo que a dor me faria render e não questionar mais sua posição de macho alfa. Contudo, havia algo mais que suas palavras não expressavam, mas que a maneira como estava me tratando deixava claro, ele estava gostando do que fazia comigo, estava gostando de mim, provavelmente a mais tempo do que ambos supunham.
- Eu sempre gostei desse invólucro, desse corpo tesudo de homem que não é homem. Você é o viado mais gostoso que eu já fodi; aliás, mais gostoso até do que qualquer mulher que eu já comi. A partir de agora vou ser seu macho, seu único macho. Quem começou a te disciplinar não soube ou não teve tempo para te deixar como deve ser, mas eu vou fazer isso de agora em diante. – não sei o que o fez concluir que eu já tive um macho, pois nunca comentei com ninguém a respeito do Lorenzo. Talvez a minha maneira de lidar com os homens tenha mudado depois do meu relacionamento com o Lorenzo, uma vez que ele tinha mesmo me mostrado como se deixar subjugar e satisfazer um macho.
Fazia quase meia hora que ele estava dentro mim, segundo assinalavam os ponteiros do relógio de cabeceira para onde meu rosto estava virado. Meu gozo tinha melado o lençol, como constatei quando ele me virou de costas e colocou minhas pernas sobre seus ombros. A penetração aconteceu lenta, vigorosa e suavemente. Um olhava nos olhos do outro, nossos rostos expressavam um prazer inato. Nós nos compreendíamos pela primeira vez. Meu cu ardia e eu sabia o que isso significava e como estaria ao amanhecer. A felicidade tinha um preço. Eu não sabia que um homem era capaz de manter uma ereção por tanto tempo e, provavelmente um homem comum não o seria, porém o Paulão não era um homem comum, ele era um fodedor nato, qual um lobo macho alfa capaz de inseminar uma matilha inteira sem muito esforço. Não demorei a sentir essa capacidade. Ao retesar ligeiramente a pelve, ele começou a gozar no meu rabo enchendo meu cuzinho com sua porra, fazendo-a transbordar pelas laterais enquanto ainda me bombava. Diante da porta do quarto outros haviam gozado e enchido seus shorts de porra. Quando ele tirou a pica do meu cu, havia um sorriso ladino em seu rosto.
- Continuo a ser um bruto, um ogro, um bárbaro depois disso, meu putinho? – questionou, sem se incomodar que algumas gotas de esperma saindo de sua uretra pingassem sobre a minha coxa.
- Não sou putinho! Não gosto que me chame assim! – resmunguei, pois não queria admitir que já o via com outros olhos depois da forma carinhosa como me enrabou.
- É sim! E, vou continuar a te chamar de putinho até você aprender a ser minha fêmea sem reclamar. Quando você tiver compreendido que sou seu macho e aceitar isso numa boa, não vou mais precisar ser o bárbaro que você acha que sou.
- Você quer que eu seja um submisso sem opinião, para você me usar, tripudiar sobre mim, provar que um gay não tem capacidade de cuidar de si mesmo, é isso, não é? – argumentei.
- Se você continuar a pensar dessa forma vou ter que te dar muitas lições e, garanto que não vai gostar delas. Eu só quero que você entenda que precisa de um macho para ser feliz, que precisa de mim. Eu vou cuidar de você porque você não consegue cuidar de si mesmo. Veja o que o pessoal faz com você, sem que você revide ou tome uma atitude de homem, te encoxam, passam a mão em você como se fosse uma puta pronta para ser usada, te falam um monte sacanagens para deixar clara a sua condição.
- Faço isso para não deixar um climão pesado, para não arrumar confusão a troco de nada. – devolvi.
- Não! Você não faz nada porque sabe que não é homem para isso. Só um macho do teu lado é que vai acabar com a folga de qualquer pilantra. – retrucou. Eu baixei o olhar, pois não sei por que, achei que ele estava coberto de razão.
Ele jogou minhas pernas para dentro da cama e se acomodou ao meu lado no estreito espaço disponível, ficando com o peito colado nas minhas costas. Eu torci o tronco para alcançar seu rosto, acariciei-o e o puxei para conseguir beijá-lo. Eu não queria mais ouvir ele me falando aquelas coisas que me faziam sentir humilhado. Ele gostou da minha iniciativa e se entregou aos meus afagos.
- Seu cuzinho está sangrando um pouco, meu putinho! Devidamente fodido e laceado. – ele sussurrou, mordiscando minha orelha.
- Depois você reclama quando eu digo que é um ogro! – revidei. Ele riu e empurrou lentamente a cabeça da pica para dentro do meu cu. Dormi tão profunda e serenamente como há muito não acontecia.
Pela manhã acordei sozinho na cama, não percebi a que horas ele deixou o quarto. Ouvi vozes na cozinha e senti o cheiro do café recém-coado tomando conta do ar úmido e abafado. No lençol manchado, e debaixo do chuveiro, comprovei que aquele macho também era capaz de me deixar com o corpo marcado como se eu fosse sua propriedade. A ideia até me fez sorrir enquanto a água quase gelada caía sobre a minha pele e, me deixava tão encharcado quando eu estava por dentro. Ele sussurrando cheio de tesão no meu ouvido que era meu macho, me deixou desperto e com o coração acelerado.
Quando cheguei à cozinha só faltava o Ciro à mesa do café. O Paulão raras vezes tomava café na nossa companhia, não sei se para deixar claro que era o líder da equipe, como o diretor havia determinado e, uma certa reserva lhe coubesse bem ou, se não gostava da maneira como os outros logo começavam a me sacanear. Mais raro ainda, era ele acordar antes de mim. Naquela manhã não houve gracejos, ao invés disso, eles se entreolhavam com a cumplicidade de quem sabia o que tinha acontecido entre o Paulão e eu naquela madrugada. Foi mais constrangedor do que as audazes brincadeiras costumeiras.
- O senhor vai querer as mesmas coisas que os outros? – perguntou a cozinheira ao Paulão, uma vez que não estava acostumada a tê-lo à mesa.
- Pode deixar Argemira, o Kadu vai me servir. – respondeu em alto e bom som, enquanto seu olhar procurava a minha aquiescência. Eu corei na hora. Diante de todos, ele estava deixando claro que havia me subjugado. Esse comportamento foi se acentuando nas semanas seguintes, até eu não me importar mais com o fato de ele se fazer meu dono.
Quando cheguei ao escritório e abri minha caixa de e-mails fiquei surpreso e comovido com a atitude da galera. Todos, sem exceção, haviam enviado ao diretor em São Paulo, e-mails pedindo para que ele se recusasse a aceitar meu pedido de demissão. Alegaram diversos motivos para eu ter feito aquilo de cabeça quente. A cópia do e-mail que o Paulão havia mencionado também estava lá. Duas semanas depois, fomos surpreendidos por uma visita não anunciada do diretor. Ele queria verificar in loco o que estava acontecendo com nossa equipe. Quando veio ter um particular comigo, me disse que não abriria mão de mim, que havia deletado sumariamente o meu e-mail e, que eu contasse com sua ajuda para qualquer situação, inclusive as de ordem amorosa, frisou me encarando com um olhar que denotava estar a par do que tinha rolado entre o Paulão e eu.
Muitas vezes eu ainda estava debaixo da ducha, me refrescando para dormir, quando o Paulão repentinamente aparecia atrás de mim, pelado, com a pica a meia bomba e me enlaçava pela cintura, deixando a água escorrer sobre nós. Quando não me penetrava ali mesmo, o fazia quando eu o enxugava sob seu olhar de cobiça ou, assim que me colocava na cama na posição em que queria me foder. Eu cuidava de suas necessidades como uma gueixa, o que o deixava louco de tesão e recompensado pela maneira como eu saboreava sua gala. Ele me procurava três a quatro vezes por semana, estabelecendo uma rotina sexual da qual nenhum de nós queria se desapegar.
- Quando voltarmos para São Paulo vou te levar para morar comigo! Não sei mais viver sem seus carinhos. – começou a repetir com mais frequência durante as longas conversas que mantínhamos ou na intimidade do meu quarto, ou durante as caminhadas noturnas, sob um céu estrelado, quando o calor e a umidade excessiva do ar não nos deixavam dormir.
- Para ser seu putinho, como você costuma afirmar? – devolvi.
- Também! Mas, principalmente para cuidar de você. Quero que você se sinta protegido e amparado. – reforçava ele.
- Você vai tirar uma com a minha cara com o que vou te dizer, vai me chamar de boiola ou sabe-se lá que outro adjetivo. Mas, eu amo você! – afirmei numa das vezes que ele começou com esse papo.
- Eu sei! Você me ama desde o colégio. Só não admitia isso e não me deixava chegar junto para que eu te mostrasse o quanto também te amo.
Então ele começou a me relatar um assunto que guardava a sete chaves. Com pouco mais de dezessete anos, portanto, ainda na época do colégio, ele já andava pegando umas meninas. Isso não me espantou, pois havia mesmo algumas que estavam loucas para ter as bucetas preenchidas pelo cacetão dele. A fama veio porque os próprios colegas ficam zoando com ele depois de descobrirem, durante as aulas de educação física, que a benga dele era um verdadeiro escândalo. No entanto, o que me deixou boquiaberto, foi ele me revelar que no condomínio dele moravam três bichinhas daquelas bem safadas, de voz esganiçada, afetadas e sempre usando roupas escandalosas, que faziam questão de esfregar na cara das pessoas a sua condição homossexual, apenas para escandaliza-las e se divertir com o constrangimento dos mais puritanos. Quando as viu pela primeira vez, elas não o pouparam, atlético, cara de macho, e aquele volume descomunal entre as pernas deixaram as bichas ensandecidas. Elas passaram a dar em cima dele como moscas no mel, até conseguirem o que queriam. O Paulão começou a fodê-las sem dó nem piedade. Sua tara por um cuzinho, que as meninas do colégio não o deixavam usar, pode ser satisfeita no cu das bichinhas. Usado como objeto sexual, tanto no colégio quanto na companhia dos vizinhos viados, ele se convenceu de que era um macho como poucos, que era um fodedor nato, que isso era o que mais gostava de fazer. Uma fenda ou um buraquinho e ele logo pensava em meter aquela dádiva com a qual a natureza o havia privilegiado. O que ele não gostava nas bichas, aquele comportamento depravado, era exatamente o oposto de como eu me comportava, tímido, meigo, sempre temeroso de que descobrissem minha sexualidade, isso o deixava encantado e com o tesão provocando comichões na virilha e ereções que o torturavam. Foram os vizinhos gays que o induziram a me provocar, dizendo que todo viado gostava de ouvir uma boa sacanagem para liberar a toba. Comigo aconteceu exatamente o contrário, eu passei a desprezá-lo por essas atitudes. Ele se revoltou, por que os vizinhos lhe garantiram que eu estava me fazendo de difícil e, meu desprezo passou a incomodá-lo. Foi quando decidiu me expor ao ridículo e a mangar de mim diante de todo o colégio.
- Você não dava o braço a torcer. A galera zoava com você e me doía ver como você lidava com a situação apesar do sofrimento inerente. Tudo teria sido diferente se você não lutasse contra a sua natureza. – afirmou.
- Você foi horrível comigo! Eu chegava a estremecer quando você se aproximava de mim. O engraçado nisso tudo, é que eu nunca te odiei. Eu tentava entender por que você fazia aquilo comigo. Cheguei a achar que era eu quem provocava essa reação nos garotos. Por sorte conheci o Lorenzo. Ele tinha muito de você, só que era o cara mais doce e afetuoso que eu já tinha conhecido. – asseverei.
- Tudo bem, não precisa entrar em detalhes. Eu já desconfiava que tinha um galalau nessa história. Não quero saber das qualidades dele! – resmungou o Paulão, visivelmente enciumado. Eu lhe dirigi um sorriso e beijei delicadamente seu queixo. Ele ficou com aquela cara amarrada.
Ao final da segunda etapa de instalação das unidades geradoras, em novembro de 2016, terminamos de instalar a última das 50 turbinas na usina de Jirau, que já fornecia energia desde 2013 quando a primeira unidade geradora entrou em operação. No total, foram seis anos desde que foi iniciada a instalação eletromecânica. Motins, greves e problemas de licenças ambientais contestadas na justiça e, amplamente divulgadas pela mídia, prolongaram o cronograma em 20 meses. Não fosse a recomendação da nossa empresa para participarmos da ridícula festa de inauguração, que mais parecia um palanque eleitoral, propagandeando os feitos de um governo sabidamente corrupto, já teríamos retornado a São Paulo umas três semanas antes.
- Uma semana! Te dou uma semana para se mudar para a minha casa! – exclamou o Paulão durante o voo entre Porto Velho e São Paulo. Ele segurava minha mão e a beijou, sem se incomodar com o comissário de bordo que arregalou os olhos para a cena.
- O que é que eu vou falar para os meus pais? Oi pai, oi mãe, estou me mudando para a casa do meu namorado, tchau! É isso que você quer que eu diga? Como é que você acha que eles vão reagir? – argumentei.
- Quem te disse que somos namorados? – questionou, quando o comissário servia a bandeja com o almoço.
- Não? Eu pensei que...
- Eu não sou seu namorado, marido, amante ou concubino. Eu sou seu macho! – exclamou ele, não sei se propositalmente num tom de voz um pouco mais alto do que o socialmente recomendável. O comissário olhou para a minha cara com um risinho assanhado e eu corei.
- Por favor, Paulão. Seja mais discreto. – balbuciei, a voz quase não saindo.
- Tenho certeza que nosso amigo aqui ficaria feliz se recebesse uma proposta semelhante, não é? – questionou, dirigindo-se ao comissário, que esboçou um sorriso bobo, praticamente confirmando a afirmação do Paulão.
- Preciso de mais tempo. Não posso despejar uma notícia dessas assim sem mais nem menos. – ponderei.
- Uma semana! Se for preciso, vou conversar com papai que criou um boiolinha, e dizer que, a partir de agora, quem cuida do filhinho dele sou eu. – eu não sabia se ele estava brincando ou se estava querendo me apavorar.
No sábado seguinte eu estava me mudando. Durante aqueles seis anos de convívio, pouco mais de cinco levando aquele caralhão abrutalhado no cu, eu não só aprendi a não bater de frente com o Paulão, como descobri uma maneira de ele pegar leve comigo quando um confronto era inevitável. O curioso é que ele nunca usou um lubrificante, que não fosse seu farto pré-gozo, para enfiar sua ferramenta em mim, independentemente das condições prévias do meu buraquinho, o qual, aliás, também parecia conspirar contra mim, tornando-se cada vez mais hipertrófico e inelástico. Depois de algum tempo, descobri que isso fazia parte do que ele chamava de me ‘doutrinar’. Ele fazia isso para deixar evidente o contraste entre a penetração sempre bastante dolorida e seu posterior jeito carinhoso de fazer amor comigo. A cada dia vivendo sobre o mesmo teto, eu sentia em pequenos gestos, o quanto aquele homem me amava, o quão importante eu tinha me tornado em sua vida, e só conseguia corresponder amando-o com toda a intensidade da minha alma. A fórmula parecia estar dando certo, pois a felicidade crescente de ambos confirmava isso.
Foto 1 do Conto erotico: Caminhos tortuosos levam ao amor

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Comentários


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lordricharlen Comentou em 11/04/2019

Parabéns por mais essa história, adoro essa história de dominação.




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Ficha do conto

Foto Perfil kherr
kherr

Nome do conto:
Caminhos tortuosos levam ao amor

Codigo do conto:
135991

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
05/04/2019

Quant.de Votos:
4

Quant.de Fotos:
3


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